Tarântula

Hoje em dia é cada vez mais comum encontrar tarântulas como animais de estimação, adquirindo-as em lojas de animas ou até mesmo pela Internet. Se nunca tratou de nenhuma anteriormente ou não possui experiência com estas, antes de adquirir uma tarântula deve ter em conta vários factores, tais como:

- Qual a espécie da tarântula?

É muito importante saber qual a espécie da tarântula que vamos comprar, uma vês que existem cerca de 850 espécies (terrestres e arborícolas), para poder pesquisar mais sobre esta, antes de a adquirir, para assim poder proporcionar-lhe todas as condições necessárias.

-Onde a colocar?

    As tarântulas, no geral não necessitam de grandes espaço para viver. Podemos utilizar desde pequenos terrários de plástico (faunariuns) a terrários de vidro. Estes últimos na minha opinião são os melhores uma vês que são fáceis de limpar, o vidro não acaba por ficar amarelo com o passar do tempo, não se risca, e é muito mais pesado que os de plástico dando assim mais estabilidade e segurança, o inconveniente é que estes são mais dispendiosos que os de plástico. O terrário deve-se localizar num local onde a luz do sol não incida directamente, pois pode interferir na saúde do nosso animal, já que estes são nocturnos. Os terrários também variam consoante a espécie. Se, se tratar de uma espécie arborícola o terrário deve ser alto (35*30*60 cm), com ramos para a tarântula poder subir e fazer a sua teia, enquanto que se for terrestre o terrário deve ser espaçoso, ou seja baixo (45*40*30 cm), para evitar que as tarântulas subam e haja uma eventual queda, podendo causar lesões no animal.

-Que substrato usar?

    O importante, é que a tarântula tenha um bom solo, ou seja um bom substrato. Existem vários tipos de substrato a venda, tais como: vermiculite, turfa, perlite, fibra de coco, cascas de madeira, entre outros. Qualquer um destes é bastante bom pois conservam bem a humidade. Para as tarântula arborícolas não é necessário colocar muito substrato, já que estas geralmente se encontram nas partes mais altas do terrário, onde costumam fazer os seus ninhos. Contudo, nas espécies terrestre existe a necessidade de colocar uma grande quantidade de substrato (de 2 a 15cm), dependendo se a espécie é apenas terrestre ou se também gosta de cavar as suas próprias tocas.

-Precisam de luz?

    As tarântulas devem ser colocadas num local onde apanhem a luz do dia mas nunca directamente. Não necessitam de qualquer tipo de luz artificial (lâmpadas) uma vês que estas são animais completamente nocturnos.

-Qual a temperatura adequada?

As tarântulas são animais de sangue frio, assim sendo devemos proporcionar-lhes uma temperatura óptima. Dependendo das espécies, as temperaturas nocturnas podem oscilar entre os 18 e os 24 ºC, enquanto que as diurnas podem encontrar-se entre os 24 e os 33 ºC. Como regra geral, podemos dizer que a temperatura nocturna deve-se manter entre os 20 e os 22 ºC e a diurna entre os 24 e os 27 ºC. Existem vários sistemas de aquecimento, como os fios de aquecimento, mantas de aquecimento, lâmpadas de aquecimento, pedras de aquecimento, etc.

-Qual a humidade adequada?

As tarântulas provêem de países de onde a humidade relativa durante a noite é bastante elevada, assim existe a necessidade de lhe proporcionar um ambiente o mais semelhante possível ao de origem. Para tal, basta colocar um bebedouro com água e com um pulverizador borrifar de forma periódica o substrato do terrário. A humidade necessária varia de espécie para espécie. Adquirir um higrómetro poderá ser uma preciosa ajuda, podendo encontra-los numa loja de animais.

-O que comem?

As tarântulas são predadores e como tal apenas comem alimento vivo. A sua dieta deve ser variada, alternando entre grilos, baratas, tenebrio, gafanhotos, etc. As tarântulas aguentam algum tempo sem comer mas não sem beber, sendo sempre necessário um recipiente com água limpa e fresca.

 

Anfíbios

Uma das dúvidas mais comuns é como se iniciar no mundo de manutenção de anfíbios em cativeiro. É uma dúvida bastante premente já que a sua manutenção para ser bem sucedida envolve o domínio de uma série de disciplinas de diversas área do conhecimento como a botânica, biologia, aquariofilia, terrariofilia...

A manutenção de anfíbios em cativeiro é uma actividade relativamente recente no mundo da manutenção de exóticos, tendo muito provavelmente se iniciado com a manutenção de axolotls em França no início do século XIX. Já que se tratam de espécies cujo o interesse comercial exceptuando o do hobbie era praticamente nulo (excluindo também as pernas de rã em França), os primeiros proponentes da ideia foram jardins zoológicos e botânicos que queriam enriquecer o seu espólio e cativar mais visitantes.

Com o início da manutenção de espécie cada vez mais díspares em colecções particulares, o avanço de conhecimentos e da tecnologia começava a ser cada vez mais viável a manutenção de anfíbios em cativeiro.

Axolotl Uma das dificuldades é escolher por onde começar, é um bocado como o enigma do ovo e da galinha. Devo escolher o tipo de setup e depois escolher as espécies que mais se adequam a esse setup ou escolher a espécie e depois criar o setup adequado para albergar essa espécie? Qualquer das abordagens é válida, no entanto é preferível escolher a espécie e depois criar o ambiente em cativeiro necessário ao bem-estar dessa espécie. A classe Amphibia é dividida em várias ordens, a anura (rãs e sapo), a caudata (tritões, salamandras e sirenídeos) e a gymnophiona ou apoda (cecílias). Cada qual com as suas necessidades especiais de habitat que devem ser cumpridas se queremos manter as espécies com sucesso.

Há vários tipos de setups que podem ser utilizados para manter anfíbios, terrário, aqua-terrário, paludários, aquários. Terrários são por norma mais utilizados para sapos, salamandras, tritões em fase terrestre e algumas cecílias. Aqua-terrários para algumas rãs, tritões e salamandras em fase de criação. Paludários para rãs e tritões com um estilo de vida maioritariamente aquático. Por ultimo os aquários que são usados para tritões, algumas espécies de cecílias e algumas rãs. Cada qual tem as suas vantagens e desvantagens. O importante é suprir as necessidades do futuro habitante, o aspecto estético será sempre secundário.

As espécies de anfíbios mais comuns no nosso mercado são os
Cynops orientalis (tritões ventre de fogo), Pachytriton labiatus (tritões ventre de fogo), rãs africanas (Xenopus laevis) e râs bombinas (Bombina orientalis), com algumas outras espécies a aparecer esporadicamente.

Algumas destas espécies são um excelente início ao mundo da manutenção de caudatas em cativeiro (
cynops, Xenopus, ...), outras são pouco adequadas a principiantes (Pachytriton). A maior causa de morte destes animais em cativeiro é o desconhecimento das necessidades específicas de cada espécie, sendo comum ouvir esclarecimentos como “Comem o mesmo que os peixes”, “pode por no seu aquário com outros peixes” e “vivem em qualquer temperatura” que levam na maioria dos casos a uma elevada mortalidade em cativeiro. Os erros mais comuns na criação de anfíbios em cati
veiro costumam ser o desrespeito pelas temperaturas, pelo tipo de habitat do animal e pelo tipo de comida que é oferecida, erros estes que normalmente têm resultados catastróficos.

Tritão Em algumas lojas da especialidade e seleccionadas é possível encontrar ainda outras espécies que são mais adequadas para o inicio no hobbie e normalmente encontram-se em melhor estado e bem alimentadas o que diminui em muito a mortalidade em cativeiro. Estas lojas têm ainda a vantagem de terem em stock material adequado para a criação dos seus setups bem como comida adequada para cada espécie.


Entre as espécies mais adequadas para principiantes encontram-se os Cynops orientalis e os axolotls no mundo dos caudatas,no mundo dos anura as Bombinas orientalis, Epidobates tricolor,
Dendrobates auratus e Xenopus laevis e no mundo das gymnophionas as Typhlonectes natans. Estas espécies por norma costumam tolerar melhor alguns dos erros mais comuns em principiantes.

Na alimentação as coisas normalmente complicam, sendo necessário na maioria dos casos comida viva, podendo para isso recorrer a um conjunto de organismos utilizados na alimentação dos animais. Estes organismos podem ser obtidos de várias formas, recolhendo na natureza, comprando em lojas da especialidade ou criando nós em nossa própria casa através de culturas de arranque.

Todos os métodos têm as suas vantagens e desvantagens, a compra em lojas torna o hobbie mais oneroso, a colecta na natureza pode introduzir patogénicos e organismos indesejáveis, com a criação na própria casa corremos o risco de fuga de alguma da comida viva...

O manuseamento dos anfíbios deve também ser minimizada já que para alem de causar stress ao animal a nossa pele muitas vezes contem substancias (cremes, sabonete, ...) que podem causar muitos danos aos nossos animais.

Mas nem tudo são aspectos negativos na manutenção em cativeiro destes animais. Não é à toa que a manutenção de anfíbios em cativeiro é considerado o hobbie mais exigente no mundo da criação de animais exóticos. É também o que considero ser o mais recompensador, quer pela exotismo das espécie, quer pelos resultados que podem ser alcançados.

Actualmente a maioria das espécies mundiais de anfíbios encontram-se de alguma forma ameaçadas na sua sobrevivência. A sua criação em cativeiro e compreensão de biótipos e comportamentos trata-se sem dúvida de um passo importante para a sua conservação quando os seus habitats se encontram em risco de desaparecer.

O segredo para a correcta manutenção de qualquer espécie em cativeiro é a informação e a paciência. Com estes dois ingredientes os resultados aparecerão naturalmente. Veja também os desastres na manutenção de anfíbios